Antes de tratar sobre minha vida, eu
gostaria de tratar sobre minha morte. Ainda não aconteceu, é claro, e eu não
sei ao certo quando acontecerá. Sei que já tentei contra minha existência uma
vez, o que jurei nunca mais fazer. Também sei que muitos vivem
inconscientemente presos à ideia de que morrerão de idade avançada. Bem, eu não
penso assim. Penso que estou suscetível à morte prematura tanto quanto as
crianças, jovens e adultos que morreram subitamente hoje, dia vinte de julho de
dois mil e vinte e quatro.
Dito isto, eu penso muito sobre minha morte, sobre meu funeral e sobre quem estará aqui para lamentar minha partida quando eu me for. Então já vivi muitos possíveis cenários e já chorei muito minha própria morte. Contudo, algo que sempre me aterrorizou não é a morte em si, mas em como ela pode nos pegar de surpresa e nos levar antes que tenhamos tempo de dizer adeus. Assim, já considerei muitas formas de me despedir de antemão, para que aqueles que se importarem tenham o que um dia eu não tive: a chance de receber um adeus e um último “eu te amo”. Assim sendo, esta é minha forma de me despedir antes que meus dedos estejam cianóticos e duros demais para digitar, antes que minha mente descanse de tanto pensar. Antes que eu me vá.
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