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Betty


CAPÍTULO XI


Betty se dirigiu até as portas dos fundos da casa de verão, temendo o que viria a seguir. Viu que suas mãos tremiam ao virar a chave e abrir a porta, mas sabia o que tinha que fazer. E sabia que não conseguiria fugir. Não dessa vez.

As lâmpadas já estavam apagadas, mas a luz da lua cheia foi suficiente para que atravessasse a varanda e descesse os degraus de madeira em segurança.

Por um momento, olhou para o céu estrelado como havia olhado todas as outras centenas de noites que havia ido para o mesmo lugar, para atender as mesmas ligações do mesmo alguém. Resolveu lutar contra as lágrimas nos cantos de seus olhos, já que não podia controlar as batidas desconsoladas de seu peito.

Assim, caminhou a passos lentos pela grama, como se detivesse poder sobre os últimos minutos de vida do seu relacionamento. Pois, enquanto não chegasse até a Árvore Solitária, não acabaria. Mas logo chegou.

Sentou-se na cadeira-balanço de Judith e suspirou ao tentar relaxar as costas na almofada gélida. Em suas mãos estava o celular com as notificações de James iluminando seu rosto na escuridão. “Posso ligar?”. Como algo tão familiar e desejado havia se transformado em um tumor no peito? Sabia exatamente como, mas a orientação de todos era a mesma: precisa removê-lo.

Respirou profundamente uma última vez e, em seus pensamentos, suplicou algo aos céus que nem mesmo ela compreendeu. Apenas deixou que suas lágrimas transmitissem a mensagem que estava sufocada em sua garganta. Por favor, não.

Tão momentâneo quanto foram, logo acabou a chamada. Seus pés estavam pálidos e frios, mas seu rosto estava vermelho e quente. Agora que não podia mais ouvi-la, Betty permitiu-se chorar sem rédeas, sem se preocupar se ele notaria a dor no som de suas palavras. Vou sentir falta disso, ele havia dito. Já que não poderá desabafar comigo, procure outro alguém de confiança, James. Ainda que o odiasse por deixá-la, ainda se preocupava com seu bem-estar. Não queria imaginá-lo sozinho com seus pensamentos turbulentos. Mas agora não podia imaginá-lo mais, de jeito algum. Agora teria que seguir as regras do término, agora teria que se desfazer daquilo que não lhe cabia mais. A começar por seus pensamentos, a terminar por seus sentimentos.

Olhou mais uma vez para o céu e sentiu que ele a olhava de volta, com pesar. Levantou-se da cadeira-balanço de Judith e andou até o limite da grama, até as cercas brancas da casa de verão. No horizonte estavam a praia e o mar, frios e opacos como seu amor. Em uma tábua, as velhas gravuras J + B ainda eram perceptíveis, mesmo debaixo da nova tintura. Kate a substituirá assim que ficar sabendo, Betty pensou, desejando que a mulher pudesse substituir seu coração também.

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